Por Me. Jéferson Marques da Silva

 

RESUMO:

A história da interpretação bíblica começa ainda no período do Antigo Testamento com os profetas e os antigos rabinos. Eles faziam a interpretação em suas épocas dos textos antigos tentando trazer à tona o sentido original do autor dos textos Sagrados. Após o início da era cristã, os teólogos cristãos também procuraram dar a interpretação correta dos Escritos. A história demonstra que, logo nos primeiros séculos, os teólogos passaram a adotar o método de interpretação alegórico, método este que dominou a hermenêutica cristã até o início do século XVI, com a chegada dos movimentos reformistas. Os reformadores logo abandonaram o método alegórico de interpretação e se utilizaram, no geral, do método histórico-gramatical. Lutero, Calvino, Zwínglio, entre outros, deram imensa contribuição a este processo. O objetivo desse estudo é apresentar um panorama da história da interpretação desde o Antigo Testamento até os Reformadores, passando patrística e o período da escolástica. A metodologia empregada no desenvolvimento desse trabalho é a bibliográfica, tomando como base os escritos exegéticos desses autores, bem como também todo o material escrito atualmente por teólogos contemporâneos que visam fazer uma análise dos escritos desses autores e a sua importância na teologia como um todo. A conclusão a que chegamos é que a teologia cristã não seria a mesma sem a contribuição de tais reformadores e que o método gramático-histórico de interpretação, utilizado e defendido por eles, se mostrou muito mais eficaz no processo de interpretação bíblica.

 

Palavras-chaves: Reformadores. Método gramático-histórico. Reforma Protestante.

 

 

INTRODUÇÃO:

A maneira através da qual os antigos interpretavam as Escrituras nunca foi consenso nos mais diferentes grupos de rabinos, desde o Antigo Testamento até os tempos de Jesus. A interpretação dos primeiros capítulos do Gênesis, da lei mosaica e até mesmo das profecias, gerou, ao longo da história teológica do povo de Israel, os mais variados debates. Esses antigos intérpretes fizeram uso dos textos de Moisés e de outros e através um longo e árduo trabalho exegético, de investigação e averiguação, tentaram trazer à tona a real intenção de cada autor ao escrever o texto Sagrado. O trabalho investigativo nem sempre foi fácil tendo em vista da complexidade das obras do Antigo Testamento; a distância cronológica entre um Escrito e outro; e o contexto cultural dos autores; entre outros fatores. Vale salientar que nos próprios Escritos do Antigo Testamento há interpretações feitas pelos autores dos textos sagrados de passagens conhecidas, como, por exemplo, a representação da queda de Adão, que, de acordo com o profeta Oseias, ela representa um aspecto da queda da aliança, algo que não está claramente explícito no texto do Gênesis, mas que o profeta assim a interpreta. O trabalho interpretativo do Antigo Testamento tomou forma mais especificamente a partir do período do segundo Templo, quando o povo judeu, após 70 anos de cativeiro, teve novamente contato com as Escrituras. Assim, os grandes intérpretes das Escrituras durante este período foram os rabinos, ou seja, os mestres e religiosos reconhecidos daquele tempo.Com o advento do cristianismo e dos novos Escritos, ou seja, das epístolas, dos evangelhos e demais fontes literárias que compõem o Novo Testamento, o trabalho dos intérpretes voltou à tona. Havia agora a necessidade de harmonizar as profecias do Antigo Testamento com a obra e a vida do Messias. O trabalho de encontrar Jesus, o Nazareno, dentro das profecias do Antigo Testamento, caberia aos intérpretes. Mas o trabalho dos primeiros teólogos cristãos, aqueles que viriam logo após o período apostólico, não se restringiu apenas a encontrar Jesus nas Escrituras do Antigo Testamento, tendo em vista que as cartas apostólicas (epístolas paulinas, joaninas e demais epístolas), além evidentemente dos quatro evangelhos canônicos, irão tratar de deixar muito claro que Jesus, o Nazareno, teria sido de fato o Messias esperado. Assim, outros inúmeros temas teológicos foram sendo discutidos ao longo desse período, o qual é conhecido como o período dos pais apostólicos, ou simplesmente patrística. Durante este período nem tudo se tornará consenso. Surgirão inúmeras discordâncias e debates acalorados a tomar conta dos meios acadêmicos e da teologia dos primeiros séculos. Escolas interpretativas, como as de Antioquia e Alexandria, deverão surgir. O caminho da interpretação bíblica permanecerá praticamente inabalado durante séculos, até a chegada da Reforma Protestante. Será por volta dos séculos XV, XVI e XVII que alguns teólogos católicos, na Alemanha, Suíça, Grã-Bretanha e em outros países da Europa, irão propor que a Igreja faça uma revisão em sua maneira de interpretar as Sagradas Escrituras. Esse movimento dará então origem à chamada Reforma Protestante. A Reforma Protestante irá se tornar, basicamente, um movimento interpretativo das Escrituras. Os reformadores, nos mais diferentes lugares e seguindo por vezes os mais distintos modos interpretativos, darão uma imensa contribuição para o processo hermenêutico das Escrituras. Através de um trabalho bibliográfico, examinando os escritos dos principais intérpretes da patrística até o trabalho dos três principais reformadores do século XVI – Lutero, Calvino e Zwínglio – propomos uma síntese da história da interpretação bíblica da patrística até estes três grandes Reformadores do século XVI.

 

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