Por Me. Evandro Roque Rojahn

Resumo

O ideal é considerado aquilo em que reina a perfeição, o paraíso. Cada indivíduo, nesse sentido, pode ser idealista, isto é, ter uma noção do que seria um mundo perfeito, justo e belo. Contudo, as formas de idealismo trazem consigo a ignorância da realidade. Ao observar as estrelas, o idealista cai no poço. Mesmo que todos possam ter seus ideais, quando se trata de mudanças efetivas na realidade, tais mudanças somente podem ser seguramente realizadas quando se leva em consideração os elementos da própria realidade. Alguns regimes idealistas tentaram se impor suprimindo a realidade, os resultados foram os mais catastróficos da história, crimes, terror, repressão e genocídios. O sentimento é importante para o trabalho intelectual, contudo, quando se eleva acima da realidade, dos fatos, torna-se perniciosa. Esse mesmo sentimento que caracteriza a parcialidade, o sectarismo da ideologia, pode impregnar o intérprete e levá-lo à prática da verdade seletiva, aquela que escolhe apenas o que adula sua alma, a hermenêutica da conveniência.

Palavras-chave: Idealismo, Realidade, Ideologia, Hermenêutica, Conveniência

Introdução:

Albert Schweitzer é considerado um grande pesquisador principalmente no que diz respeito à busca do “Jesus histórico”. Ao analisar as concepções sobre Jesus nos períodos que antecederam sua época, Schweitzer percebeu a parcialidade dos pesquisadores. Schweitzer descreveu esse fenômeno como “a intromissão de elementos pessoais” nas pesquisas. Cada época se viu sob uma perspectiva muito particular e cada crítico escreveu sob um prisma pessoal, de acordo com o background filosófico de que era possuidor. Schweitzer notou que os resultados de tais pesquisas nunca eram devidos ao movimento científico puro. Com a ascensão da crítica moderna principalmente sob o pretenso objetivo científico, os pesquisadores se viram obrigados a deixar de lado os milagres, pois, os tais não se moviam no campo natural, no qual se move a ciência.Schweitzer, a partir desta constatação, ironizou que a hermenêutica era como um homem olhando no fundo do poço e vendo seu próprio reflexo.Se Schweitzer estiver correto, gran-de parte da hermenêutica pretensamente científica não passa de uma “apologia da ideologia pessoal”, isto é, uma defesa dos ideais pessoais do próprio intérprete, uma perspectiva partida-rista. Neste artigo procuraremos elucidar a diferença entre o Idealismo e a Realidade a fim de esclarecer as raízes da falsa inteligência e sua distinção da verdadeira. No segundo ponto será indicada a importância do sentimento para um melhor desempenho do trabalho intelectual, bem como sua relação com a ideologia e a característica distintiva da ideologia, isto é, seu caráter anti realista. E no último ponto abordaremos a interpretação e as consequências de sua influência negativa pela ideologia. Quando a ideologia rege a interpretação, esta torna-se parcial, e como diz Julien Benda: o delírio da imparcialidade conduz à iniquidade. Tal parcialidade, típica da ideologia, é o resultado da paixão, pois quem quer alguma coisa para si mesmo rejeita a verdade. A hermenêutica resultante da ideologia é pura conveniência. A conveniência reduz a verdade a um modo de ver as coisas pessoal, grupal ou partidário. Por isso, a hermenêutica da conveniência deverá ser deixada de lado caso o intérprete realmente queira alcançar a verdade.

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