Por. Dr. David Allen Bledsoe.

 

Qual é a ligação entre missão no contexto brasileiro e educação teológica? Aliás, qual é ligação entre missão em qualquer país e educação teológica? Uma resposta simples é: toda. Portanto, a sua conexão será o foco deste ensaio.

1 EDUCAÇÃO TEOLÓGICA E SEU PROPÓSITO MISSIONÁRIO ENTRE OS BATISTAS BRASILEIROS

 

Na tradição dos batistas brasileiros, os registros revelam que os missionários da junta missionária da Convenção Batista do Sul, conhecida hoje como a International Mission Board (IMB), já enfatizavam e investiam na educação teológica no ano de 1895. Isso quer dizer que, em menos de quinze anos de atuação, a educação teológica formal constituía-se um dos pilares da evangelização do Brasil.

De fato, os pioneiros estadunidenses já estavam envolvidos informalmente na formação de obreiros nacionais bem antes do ano mencionado, mas observa-se um esforço intencional cada vez maior para investir em plataformas formais de educação teológica. Esse cenário não seria muito diferente para as demais denominações de igrejas evangélicas de missão que fi zeram parte da evangelização inicial do Brasil, como por exemplo, os metodistas, presbiterianos e luteranos.

Em linhas gerais, evangélicos norte-americanos começaram a usar seminários teológicos há mais ou menos 300 anos para treinar seus vocacionados, tanto pastores quanto missionários. Certos grupos, como batistas, porém, foram mais lentos, por certas razões em aceitar essa forma de treinamento. Pode-se dizer que eles têm utilizado ambientes acadêmicos por cerca de 200 anos.

Uma vez que a obra evangélica brasileira tinha menos de dois séculos de existência, e seu início fora infl uenciada pelos missionários norte-americanos, que constataram que as metodologias de ensino no próprio Brasil eram católicas, o seminário teológico praticamente tornou-se o seu modus operandi. Havia poucas outras opções de ensino para o desenvolvimento teológico e ministerial dos vocacionados. Por isso, os missionários batistas norte-americanos que serviam no Brasil sentiram a necessidade, bem no começo, de oferecer educação teológica através de ensino formal, ou seja, através da organização de seminários teológicos.

Uma das razões principais para o investimento na educação teológica formal foi que esse preparo facilitaria o treinamento dos vocacionados necessitados para a evangelização do Brasil. O missionário russo-judeu Salomão Ginsburg expressou essa ligação entre educação teológica e evangelização quando ele rogou à IMB, junta missionária que o sustentou, por recursos para começar seminários no Brasil:

Irmãos, se o Brasil deve ser convertido, será somente através de brasileiros. Portanto, permitam-nos preparar homens assim, que, em um futuro próximo, possam ser capazes de tomar os nossos lugares. Eu insisto nisto de todo o meu coração e alma.

Atualmente, as igrejas batistas afi liadas à Convenção Batista Brasileira (CBB) possuem três seminários teológicos nacionais. Com muito mais força, há dezenas de seminários regionais espalhados pela nação, os quais fi cam mais próximos aos vocacionados e suas próprias igrejas locais, sendo apoiados pelas convenções estaduais e associações regionais. Alguns  são resultados da iniciativa de apenas uma igreja local, em alguns casos.

Se fosse perguntado à liderança desses seminários qual é uma das principais razões da existência de sua instituição, sua resposta normalmente seria: preparar vocacionados para o avanço missionário, a fi m de formar missionários de campo ou líderes de igrejas que promovam missões. Todavia, muitos seminários têm passado mudanças ao longo das últimas décadas, particularmente nesta ênfase missionária.

2. ÊNFASE MISSIONÁRIA NOS SEMINÁRIOS TEOLÓGICOS CONTEMPORÂNEOS

 

Há um crescimento na refl exão crítico construtiva sobre a educação teológica formal por parte de pastores e líderes denominacionais, a qual deverá ser benéfi ca ao futuro de igrejas e de instituições.5 Christian Gillis, por exemplo, apontou quatro problemas que observou, sendo ex-professor, e também pastor de uma igreja local, os quais proporcionam enormes dificuldades para o ministério em igrejas, bem como no campo missionário: (1) Metodologia exegético-teológica crítica dissociada da leitura espiritual; (2) Academicismo formal e sem aplicação ministerial; (3) Postura demasiadamente ácida com relação à igreja e pastores e; (4) Formação de líderes com muita informação e pouca piedade pessoal. Ainda que outros problemas possam ser acrescentados à lista citada, este artigo visa a contribuir com outros propósitos.

Algumas áreas que os apóstolos consideravam importantes na formação de vocacionados serão destacadas. Além disso, sugestões serão oferecidas, ao fi nal, para que uma denominação ou rede de igrejas cooperantes consiga voltar ou manter a ênfase missiológica em seus seminários teológicos. O Movimento de Lausanne (ML) será referido algumas vezes, pois, através de suas consultas e de seus três principais congressos, ele tem produzido documentos norteadores para os que são dedicados a missões e, especialmente, à Grande Comissão. Este autor interagirá algumas vezes com o principal documento resultante do último congresso, em 2010, que se chama Compromisso da Cidade de Cabo (CCC), pois os idealizadores ponderaram e ofereceram excelentes insights sobre a educação teológica com respeito à missão.

3. EDUCAÇÃO TEOLÓGICA VALIDADA NO NOVO TESTAMENTO

 

As últimas palavras recordadas do Senhor Jesus aos seus discípulos, antes de ascender ao céu, são conhecidas, para a maioria dos cristãos, como a “Grande Comissão”. Cada escritor dos evangelhos inclui uma versão parecida dela, embora a mais citada encontre-se em Mateus 28.18-20.

De acordo o Senhor, fazer discípulos deveria incluir: (1) batismo, o qual implica a evangelização da pessoa antes desta ordenança, bem como; (2) ensino – ensinar tudo que o Senhor ordenou aos seus discípulos. Esta segunda parte proporciona espaço para a educação teológica, pois o CCC aponta que a educação teológica “é parte da missão que vai além do evangelismo”.

É importante reconhecer também que a educação teológica complementa esforços evangelísticos e prepara obreiros para liderar igrejas autóctones, que sejam fi éis às Escrituras Sagradas e, ao mesmo tempo, se encaixem e sirvam, efetivamente, em seu contexto.

Quando observados a formação e o desenvolvimento de líderes eclesiásticos na Igreja primitiva, algumas áreas a serem tratadas se destacam. As duas principais são a piedade e a doutrina de base evangélica do obreiro, as quais o apóstolo Paulo resume em sua exortação ao jovem pastor Timóteo: “Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, fazendo isso, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem” (1 Tm 4.16, NVI). Outras áreas, sem dúvida, deverão ser inclusas, tais como, por exemplo, a habilidade de pregar e o dever de “fazer a obra de evangelista” (2 Tm 4.5). Mas o padrão neotestamentário começa, primordialmente, em teologia e em vida, os quais oferecem o alicerce para o ministério fi elmente bíblico a serviço de Deus e de suas igrejas, sejam novas ou já estabelecidas. Para sintetizar, o obreiro cristão deveria esforçar-se para ser aprovado, correto perante Deus e os homens, e que “maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2.15).

O leitor apenas precisa ressaltar as qualifi cações de um pastor/bispo em 1 Timóteo 3.1-10 para comprovar a importância da piedade dos vocacionados. Treze de quinze características mencionadas para o ministério estão ligadas à integridade e à piedade do candidato; estão atreladas ao “interior” do obreiro. Não signifi ca que habilidades, talentos e experiências não devam ser considerados na seleção de um pastor ou missionário, porém parece que eles fazem parte de uma segunda categoria, após a certifi cação de sua piedade e doutrina. As igrejas e agências missionárias contemporâneas devem ser desafiadas neste ponto.

Ao entrevistar um candidato, às vezes suas habilidades e seu histórico de sucesso são priorizados, e, após isso, suas crenças e vida. Contudo, o procedimento apostólico padrão era dar, prioritariamente, muita atenção ao comportamento cristão do candidato, bem como à sua teologia, e, apenas depois, às suas habilidades e experiências. Parece que o Senhor está mais preocupado com o que seu líder é do que com o que ele faz para Deus e Sua igreja.

As Escrituras também trazem luz sobre a plataforma pela qual a instrução deve ser passada. Observa-se mais uma vez através das palavras do apóstolo Paulo: “E as coisas que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confi e a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar a outros” (2 Tm 2.2). Esta orientação deve continuar a oferecer “uma corrente ilimitada de homens para o ministério pastoral e a propagação do evangelho”.Também foi sugerido que ela fosse a primeira exortação para um seminário teológico, a qual impactaria não apenas uma geração, mas também a geração futura de pastores e líderes das igrejas.

Para sintetizar esta seção, as qualifi cações para um vocacionado, conforme observadas no Novo Testamento, devem incluir pelo menos quatro áreas: (1) fidelidade doutrinária; (2) piedade perante Deus e os homens; (3) dedicação ao mandato evangelístico e em prática; e (4) compromisso de repassar os valores, os ensinos e as práticas aos homens fi éis. O currículo para a formação e desenvolvimento dos vocacionados é composto de outras áreas e assuntos, entretanto as que foram ressaltadas são as essenciais para qualquer empenho em educação teológica.

4. SUGESTÕES PARA ESFORÇOS NA EDUCAÇÃO TEOLÓGICA

 

Para assegurar, ou, em alguns contextos, resgatar, o propósito missionário da educação teológica em um conjunto de igrejas locais, algumas sugestões estão a seguir. A primeira é mais geral, enquanto o restante aplica-se à própria instituição teológica. Elas poderão ser ponderadas e discutidas entre pastores de igrejas e outros líderes denominacionais, os quais anseiam pelo cumprimento da Grande Comissão na geração atual e futura.

4.1. Para facilitar o avanço missionário, a educação teológica deve ter diversos sistemas de entrega, de acordo com o perfi l do obreiro e seu contexto.

 

Sistemas, de fato, precisam ser criados e oferecidos, além da sala de aula em um prédio, de acordo com o tipo de líder eclesiástico em formação, sua preferência de aprendizagem e a utilização de plataformas contemporâneas. Seminários poderão suprir algumas destas necessidades, mas talvez outros empenhos sejam criados em conjunto ou separadamente. A chave para qualquer empreendimento é que ele seja bíblico e benéfi co para a Igreja e seu cumprimento da missão.

Alguns vocacionados não necessariamente têm condições acadêmicas de estudar em cursos superiores, portanto programas adaptados para seu perfi l deveriam ser ajustados e oferecidos. Não há uma ordem bíblica de que todos necessitam de ser bacharéis ou mestrados em Teologia para exercerem o ministério pastoral ou missionário.

Para ilustrar, este autor ajudou uma associação na região metropolitana de Belo Horizonte a organizar um curso de capacitação ministerial, quando a Faculdade Batista Mineira começou a oferecer apenas um curso teológico que foi reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC). Ele não é contra cursos teológicos credenciados, inclusive tem alguns diplomas reconhecidos em Teologia, e é professor de uma faculdade com alto credenciamento. Ele apenas percebia a necessidade de ter na região outras plataformas para os vocacionados que não tinham o perfil de estudar em um curso superior.

Para destacar outra situação, alguns vocacionados e outros líderes têm uma necessidade, ou, pelo menos, uma forte tendência para aprender por meio de transmissões orais em vez do uso mais recorrente da leitura, por serem analfabetos totais, funcionais, ou com preferência pela aprendizagem oral. Não quer dizer que os cursos deveriam diminuir o nível para os alunos. Contudo, os educadores, bem como missionários que atuam no desenvolvimento de líderes, estão experimentando mais e mais a estratégia da transmissão oral ou, pelo menos, a transmissão de conteúdo empregando a letra e a fala. Alguns pensam que oralidade é apenas para os mais simples, mas pesquisas mostram que os que nasceram nas últimas três décadas têm fortes tendências de aprender por meios orais, dado como eles interagem com a informação, nesta era digital.

Por último, apesar da educação a distância não ser um novo empreendimento entre os evangélicos brasileiros, seu crescimento está previsto nas próximas décadas. Ela claramente traz desafi os, bem como oportunidades nunca vistas, para a formação teológica e o desenvolvimento de líderes. As duas principais convenções das Assembleias de Deus no Brasil utilizam bastante efi cientemente a modalidade a distância para a formação de seus pastores e líderes.

A Escola de Educação Teológica das Assembleias de Deus foi fundada em 1979 pelo missionário e pastor norte-americano Bernardo Johnson. Esta instituição continua comprometida com a doutrina e os princípios assembleianos. Embora seja uma entidade independente, as duas convenções maiores a aceitam e valorizam sua contribuição.

De acordo com seu site, 40.000 alunos já foram formados em seus diversos cursos, e 23.000 mil atualmente estudam em seus mais de 400 núcleos espalhados no Brasil e em outros países. Este autor teve o privilégio de visitar, alguns anos atrás, sua sede e campus na cidade de Campinas. O mesmo compreendeu melhor como ela preencheu um espaço que seu fundador percebia entre as igrejas locais. Na avaliação deste autor, ela é dos responsáveis pelo crescimento contínuo dos assembleianos nas últimas décadas, pois ajudou a facilitar a formação dos obreiros com os valores esperados pelas igrejas afiliadas.

 

4.2. Educação teológica jamais deve ser separada da missão da Igreja

 

A formação teológica e ministerial dos vocacionados, seja qual for a modalidade, não encontra seu fi m em si mesma, nem na sociedade. O CCC identificou bem o propósito da educação teológica:

A missão da Igreja na terra é servir à missão de Deus, e a missão da educação teológica é fortalecer e acompanhar a missão da Igreja. A educação teológica serve primeiro para treinar aqueles que lideram a Igreja como professores-pastores, capacitando-os para ensinar a verdade da Palavra de Deus com fi delidade, relevância e clareza; e, segundo, para capacitar todo o povo de Deus para a tarefa missional de entender e comunicar com relevância a verdade de Deus em qualquer contexto cultural.

 

Educação teológica existe para estar a serviço da Igreja, a qual cumpre a missão de Deus na terra. Os detalhes sobre a missão da Igreja encontram-se na revelação escrita de Deus, ou seja, na Bíblia, que é Sua norma de fé e prática.

Portanto, a próxima sugestão que se atrela a esta é que os seminários teológicos proporcionem às suas respectivas igrejas e denominações uma fonte de obreiros aprovados e, consequentemente, úteis para cumprir essa missão.

 

4.3. É necessário que o corpo docente seja altamente comprometido com a fé evangélica histórica e com a piedade para que um seminário seja útil a serviço das igrejas e do avanço missionário

 

Uma vez que os seminários teológicos são utilizados na formação de vocacionados e outros líderes, o corpo docente é altamente estratégico para o cumprimento da missão, o crescimento e a expansão das igrejas. John Piper resume bem a seriedade dos docentes escolhidos que investem na futura geração de pastores e missionários:

Não se pode enfatizar exageradamente a importância do seminário na formação teológica e espiritual de igrejas, denominações e instituições missionárias. […] o tom das aulas e dos professores exerce profunda infl uência no tom do púlpito. Todas as coisas que despertam a paixão dos professores se tornarão, normalmente, a paixão dos jovens pastores. O que eles negligenciarem, provavelmente, será negligenciado no púlpito.

Por isso, os líderes do ML verbalizaram seu anseio para que a Bíblia fosse central no currículo, e as dúvidas fossem tratadas em cursos ministeriais.

Nós desejamos que todos plantadores de igreja e educadores teológicos coloquem a Bíblia no centro de suas parcerias, não apenas nas declarações doutrinárias, mas também na prática. Os evangelistas devem usar a Bíblia como fonte suprema do conteúdo e da autoridade de suas mensagens. Os educadores teológicos devem reentronizar o estudo da Bíblia como disciplina fundamental na teologia cristã, integrando e permeando todos os outros campos de estudo e de aplicação. Acima de tudo, a educação teológica deve servir para preparar professores pastores para sua principal responsabilidade: pregar e ensinar a Bíblia.

O corpo docente de um seminário deve ter professores pastores que são piedosos, experientes em suas áreas de atuação, comprometidos com a fé evangélica histórica e a igreja local, praticantes da evangelização, dedicados aos seus alunos e competentes em ensino. Embora a maioria destes traços tenha sido aludida na seção anterior, basta repetir em poucas palavras, pois o clima criado por sua contribuição deve ser atrativo entre o corpo discente e estimulante à prática missional.

Todavia, há muitas lições que somente poderão ser aprendidas através do serviço nas igrejas. Isso prepara o solo para a próxima sugestão.

 

4.4. Seminários teológicos têm seus limites na formação de obreiros, que apenas a igreja local poderá transpor.

 

Seminaristas e outros alunos precisam não apenas participar, mas servir nas igrejas, sendo estas já estabelecidas ou novas. O serviço dos vocacionados deve ir além de estarem presentes em cultos e cuidarem de um grupo pequeno na escola bíblica dominical, mesmo sendo elementos básicos no histórico de qualquer líder. Os vocacionados devem ter a oportunidade de exercer seus dons e ver a aplicação do conteúdo teológico estudado no meio da igreja e nas redondezas.

Parece que o contexto evangélico norte-americano, às vezes, oferece mais oportunidades para os seminaristas do que o brasileiro, pois não é raro que eles pastoreiem igrejas pequenas ou atuem em ministérios signifi cativos nas grandes igrejas. Tendo refletido algumas vezes sobre o ministério pessoal deste autor durante os estudos em seu primeiro curso teológico, concluiu que seria difícil discernir qual foi o mais importante na sua formação, pois o Senhor usou grandemente os dois em seu desenvolvimento: o seminário e a experiência ministerial na igreja.

O seminário deste autor também exigiu que cada aluno apresentasse o evangelho para uma pessoa uma vez por semana, e ter um ministério com pessoas pelo menos uma hora por semana. Sem cumprir esses requisitos, os alunos não recebiam notas nas disciplinas do semestre. Talvez pareça legalista, mas, em grande parte, este autor é quem ele é hoje, por causa das experiências que passou nesse curso teológico.

Se os seminários existem para ajudar as igrejas a cumprir sua missão, os que estão em formação devem valorizar e servir no meio delas, não apenas depois de sua formatura, mas durante o seu curso. O seminário que coopera com as igrejas locais oferece a um e a outro – igreja e seminarista – o que cada um necessita para cumprir sua missão. Por isso, a sugestão a seguir é fundamental.

 

4.5. Um dos motivos para as igrejas cooperarem encontra-se na educação teológica

 

Empreendimentos na educação teológica demandam muitos recursos, muito mais do que as pessoas imaginam. Quase nenhuma destas instituições gera lucro. Por isso, o típico diretor/presidente de um seminário teológico na América do Norte ou na Europa dedica pelo menos cinquenta por cento de seu tempo em levantamento de recursos. Outras fontes de recursos incluem, por exemplo, alojamento de alunos e juros de fundações e cadeiras estabelecidas para subsidiar os salários dos professores e da instituição. Para a situação latino-americana essas opções não são tão disponíveis ou estão menos evoluídas, o que resulta em mais difi culdades de sustento.

Mesmo com a ausência de opções supracitadas, propõe-se que a educação teológica proporcione uma razão motivadora para as igrejas cooperarem juntas, particularmente em uma denominação. Por outro lado, a cooperação abre uma oportunidade para que o seminário teológico tenha os recursos fi nanceiros e também alunos candidatos, dos quais ele necessita. Por isso, o seminário teológico realmente precisa ganhar a confi ança das igrejas e oferecer o devido preparo dos vocacionados para que eles levem as igrejas a cumprir a sua missão.

Uma direção que dá apoio real às igrejas, e em particular, ao cumprimento da Grande Comissão, se refl etirá no conteúdo a ser estudado. Por isso, a última sugestão é um princípio fundamental e prático.

 

4.6. Uma avaliação missiológica crítica e honesta do currículo deve ser feita pelos líderes do seminário

 

Os idealizadores do CCC rogaram:

Nós apelamos às instituições e programas de educação teológica a conduzir uma “auditoria missional” em seus currículos, estruturas e etos, para assegurar que eles realmente atendam às necessidades e oportunidades da Igreja em suas culturas.

 

A liderança dos seminários necessita fazer uma autoanálise de seus currículos e estágios, se quiser fornecer obreiros para as igrejas e para os campos a serem engajados. Por isso, o pedido dos participantes do ML encontra validade para entidades, especialmente para seminários teológicos, que servem às igrejas.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Foi elaborada a necessária conexão entre a educação teológica e a missão da Igreja, em especial para o cumprimento da Grande Comissão.

O convite feito no fi nal deste artigo foi que o leitor encarasse a educação teológica como um elemento efetivo para a continuidade da missão da Igreja e que os seminários preparassem os vocacionados teologicamente – e também na prática – para o cumprimento da missão, tanto ao seu redor, quanto em sua pátria e no mundo.

Igrejas também fazem outras tarefas diaconais, mas a última ordem do nosso Senhor deve ser transmitida a cada geração, senão elas correm o risco de não serem efetivas e deixar de existir na próxima.

 

Para conhecer as referências deste artigo acesse o link.