Por Me. Terezinha Meirelles

Introdução

A teologia cristã feminista e a interpretação bíblica estão no processo de redescobrimento de que o evangelho, ao ser proclamado, precisa recordar o papel das mulheres discípulas e o que elas fizeram. Várias teólogas tem discutido e trabalhado de forma a realizar uma nova hermenêutica da Bíblia no que tange ao segmento da mulher enquanto discípula. Elas têm procurado a mulher onde comumente ela não apareceria numa hermenêutica androcêntrica como estamos acostumados a ver.
A mulher tem a sua participação desde o inicio da criação quando Deus, o Criador a fez à sua imagem e semelhança, e continua sua caminhada a partir da história cristã. FIORENZA busca reconstruir a história cristã primitiva como história de mulheres, não só para restituir as histórias de mulheres à história cristã primitiva, mas também para requerer que a mesma seja entendida como história de mulheres e varões. Na verdade, esta deveria ser a verdadeira história, não somente aquela de homens, contada por homens, mas história de homens e mulheres. “A reconstrução da história cristã primitiva em perspectiva feminista suscita difíceis problemas hermenêuticos, textuais e históricos”3?A teoria feminista insiste em que todos os textos são produtos de cultura e história patriarcal androcêntrica. Por isso o movimento feminista gerou uma profusão de estudos acadêmicos em todas as áreas de indagação e pesquisa cientifica. Historiadores, filósofos e antropólogos enfatizam que a corrente teoria e pesquisa acadêmicas são deficientes porque deixam de considerar as vidas e contribuições das mulheres e constroem uma humanidade e uma história humana de “varões”. O estudo feminista em todas as áreas busca, pois construir modelos e conceitos heurísticos que nos permitam perceber que a realidade humana encontra-se insuficientemente articulada em textos e pesquisas androcêntricos.4Ao ler sobre os primórdios da história cristã, verificamos que pouco ou quase nada se fala da mulher e seu trabalho, a não ser quando ela realiza algo surpreendente, ou então, quando não pode ser omitido. Toda historiografia e visão seletiva do passado; a interpretação histórica esta definida por questões de interesses e estruturas de dominação contemporânea. Daí o interesse e a legitimação em abrir possibilidades futuras na interpretação bíblica. Sendo assim, a mulher não desiste na sua procura pelo espaço perdido, podemos vê-la em todo o tempo e em todas as situações. A sua importância e contribuição são evidenciadas através de escritos, a começar pela igreja primitiva e seguindo no decorrer da história. Assim, propomos um olhar feminista ao estudarmos as Escrituras, procurando, nesta perspectiva, encontrar a mulher nas suas mais diferentes atuações no texto sagrado, trazendo para a comunidade uma contribuição e algumas pistas pastorais para a atualidade. HUEFNER e MONTEIRO enfatizam que, se quisermos articular alguma coisa sobre este assunto, temos de: criticar, reconstruir e atuar. Não basta apenas falar ou criticar, mas também reconstruir e agir. Para isto, é preciso amar. Em lugar de obras meritórias e de cerimoniais, Jesus apregoou a ideia de que piedade consiste no amor a Deus e ao aproximo a um Deus que é Pai e a um próximo que é irmão, manifesto principalmente numa atitude de coração e de vida interior, tendo como fruto os atos externos. A força propulsora dessa vida éa lealdade ao próprio Jesus como revelação do Pai, o tipo da humanidade redimida. Assim, homens e mulheres, unidos no amor do Pai, fazendo parte dessa humanidade redimida, vivamos para exaltar o nome daquele que nos amou e nos tornou cooperadores de Deus. Em Cristo somos concidadãos da família de Deus. Edificados Nele, bem ajustados cresçamos para templo do Senhor.

CLIQUE AQUI PARA CONTINUAR A LEITURA