“Deus é Espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (João 4.24 – NAA)

Para embasar o argumento acima seria suficiente a afirmação de que o próprio Deus Trino se manifesta na Pessoa do Espírito Santo, o Paracleto, aquele que o Senhor Jesus Cristo prometeu que enviaria para estar com sua igreja para todo o sempre (Jo 14.16). Deus, por definição, é Espírito. Contudo, também nós, seu povo, embora temporariamente limitados a este corpo físico e carnal comum a todos os seres humanos, somos instados pela Sagrada Escritura a desenvolver um relacionamento com o Senhor. 

A Bíblia é rica em exemplos de como os homens podem se relacionar espiritualmente com Deus, seja por meio da leitura da Palavra, seja por meio da oração, seja por meio da meditação, seja por meio da diaconia (serviço). Como regra absoluta de fé e prática, a Escritura deve ser instrumento diário no exercício da fé cristã. É através dela que podemos encontrar as respostas para todas as questões inerentes a nossa espiritualidade. Deus, em sua infinita misericórdia, compilou e preservou sua santa Palavra ao longo de milênios para que eu e você pudéssemos ter acesso àquilo que Ele decidiu revelar à humanidade. Mais do que tão somente assuntos de cunho soteriológico, ela também é repleta de lições e exemplos pertinentes para a vida cotidiana. Nela encontramos fundamentos para refletir e discutir assuntos de natureza educacional, pedagógica, religiosa e filosófica (entre tantos outros), a partir do referencial determinado pelo próprio Criador. Meditar diariamente naquilo que é Palavra viva e inerrante do Senhor é, conforme promessa dele mesmo, garantia de prosperidade espiritual (Js 1.8). 

Se a Bíblia é a ferramenta fundamental para a produção da boa teologia, uma espiritualidade saudável é condição básica para que o teólogo possa se relacionar com Deus e tudo aquilo que lhe é próprio. Para tanto, é sobremaneira necessário ter claro o conceito de espiritualidade à luz do cristianismo bíblico, afinal este tema – espiritualidade – tem sido cada vez mais recorrente nas mentes das pessoas na atualidade. 

Muitas outras correntes de pensamento, que não o cristianismo, tem se proposto a auxiliar o desenvolvimento espiritual daqueles que com elas simpatizam ou delas fazem parte. Há aqueles que projetem o sucesso do caminho espiritual num transcendentalismo místico no qual o ser humano deve buscar se desconectar ao máximo daquilo que é terreno. Há quem busque tal evolução na conexão com a natureza em suas mais diversas formas. Há ainda quem tente preencher sua necessidade espiritual com bens materiais ou mesmo numa rotina extenuante e desenfreada de trabalho e acumulo financeiro. Há cada vez mais opções disponíveis à sociedade, e cabe aos líderes cristãos buscar compreender este cenário para que possam oferecer à igreja caminhos mais excelentes, conforme aquilo que Cristo legou. Toda e qualquer iniciativa espiritual que não culmine em devoção e adoração ao Senhor Deus é questionável. 

Entender quais os processos bíblicos e as boas práticas experimentadas pela igreja ao longo dos séculos para o fortalecimento espiritual dos crentes é fator preponderante no pastoreio do rebanho assim como na formação de novos líderes. A partir dos fatores que compõe este conjunto é que o líder cristão é capaz de iluminar as mentes daqueles que o ouvem, todos eles em buscando sentido para não apenas esta vida, mas também a vindoura. Oferecer um caminho de espiritualidade que nutra mente e alma é conectar de fato o fiel – e, por consequência, a membresia de uma igreja local como um todo – com Cristo e com seu corpo, a Igreja. 

O resultado da busca por evolução espiritual também está descrito na Bíblia. Paulo, no capítulo 5 Gálatas, é preciso em determinar o fruto do Espírito como sendo “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gl 5.22-23). Como discípulos de Cristo individualmente e santuário do Espírito Santo que somos como um todo, uma vida espiritual saudável é mais do que apenas desejável, é indispensável. Portanto, cabe a nós o bom uso dos recursos disponíveis. Tanto aqueles já instituídos ao longo dos milênios de tradição cristã, quanto os que este tempo nos proporciona. Seja através do acesso às mais variadas opções de materiais de estudo, cursos, aperfeiçoamento, seja de joelhos dobrados e coração contrito em devoção ao Senhor. Melhor ainda… tudo isto junto!