Por Dr. Cleomacio Miguel da Silva
Resumo

Enquanto que no livro de Gênesis o seu autor descreve os atos criativos de Deus, nos capítulos 38 a 41 do livro de Jó, o próprio Deus, usando de métodos dialéticos para com o patriarca, descreve em detalhes o Seu poder como Criador e Mantenedor de todas as coisas na Terra e no Universo. Contrariamente ao pensamento naturalista da criação governado pelas leis do acaso, Deus mostrou, em seu diálogo com Jó, que Ele criou todas as coisas com um propósito específico. O relato bíblico do primeiro capítulo do livro do Gênesis mostra a existência da água antes da semana da criação, quando diz na última parte do versículo 2: e o Espírito Santo pairava por sobre as águas. Existem muitas teorias científicas que tentam explicar a origem da água na Terra. Porém, nenhuma tem a palavra final, o que abre a discussão sobre como este líquido tão precioso chegou até o nosso Planeta. Para muitos cientistas, a presença de água na Terra ainda é um grande mistério. Nem o livro de Gênesis aborda como a água surgiu no Planeta, apenas diz que ela já estava lá, bem antes de Deus trazer vida a Terra. Também não se sabe qual era a composição dessa água, antes do Criador usá-la como fonte de vida. A Terra surgiu da água (Gênesis 1.9-10), o que indica a importância desta substância na criação estabelecida pelo Deus Todo-Poderoso. Sendo assim, e dentro deste contexto, o objetivo do presente estudo foi apresentar algumas pesquisas atuais sobre as principais teorias que abordam a origem da água na Terra, analisando-as sobre a lente de Gênesis 1:2, última parte.

Palavras-chaves: Criação Divina. Astronomia; Acreção Planetária; Gelo; Deutério

Introdução

Quando se faz um estudo minucioso entre o livro de Gênesis e o livro de Jó, sobre o relato da criação, observa-se que os capítulos 38 a 41 do livro de Jó fornecem detalhes que não foram revelados nos capítulos 1 e 2 do livro de Gênesis. Após diferentes diálogos filosóficos entre Jó e seus amigos, Deus interrompeu a falácia contraditória dos homens, apresentando seus argumentos como Criador e Mantenedor de todas as coisas criadas na Terra e no Universo. Inclusive, ao falar sobre o pó da terra (partículas) e o Universo, Deus mostrou que tem domínio sobre o mundo micro e macro. Na universalidade dos temas apresentados, Deus faz perguntas retóricas visando chamar a atenção dos seus interlocutores para um feedback, se eles tiverem condições de responder (Jó 38.3). Entretanto, nenhum dos ouvintes apresentou réplica às perguntas feitas pelo Criador. A única resposta foi apresentada pelo próprio Jó (Jó 40.3-5). Ver-se o quanto a falácia filosófica dos homens transforma-se em pó, quando comparada com o poder criador do Todo-Poderoso, pois todas as coisas foram feitas através dele, e, sem Ele, nada do que existe teria sido feito (Jo 1.3). Mesmo Jó, um homem temente a Deus, não compreendia totalmente a atuação de Deus na natureza (Jó 38.1-2). O patriarca Jó, em sua sinceridade e humildade, confessou a Deus que ele era incapaz de entender os planos divinos (Jó 42.1-6). Assim, é impossível que argumentos filosóficos humanos pudessem ultrapassar os planos estabelecidos por Deus na regência dogmática das leis da natureza.Na confissão de Jó (Jó 42.1-6), ele mostrou o seu arrependimento por ter falado de coisas que estavam além da sua compreensão. Isto mostra que, mesmo aqueles que são tementes a Deus, podem não ter uma compreensão mais ampla da atuação Dele na criação da Terra e do Universo, ficando presos a sua cosmovisão filosófica. Pelos diálogos apresentados por Jó e seus amigos, percebe-se que existia o temor de Deus na cidade onde eles residiam. Porém, muitos diálogos estão entremeados de especulações filosóficas sobre a criação, o que dificultou, por partes deles, a compreensão da atuação de Deus na natureza. Nos capítulos 38 a 41 do livro de Jó, Deus usou os métodos dialéticos da maiêutica e da ironia para mostrar aos seus interlocutores a importância de observar na natureza sua atuação, mesmo que em muitas situações isto não fosse completamente entendido. Tudo deveria ser aceito pela fé nas coisas reveladas pelo próprio Criador. Muitos têm feito a pergunta: de onde veio a água relatada no livro de Gênesis? Na cosmovisão criacionista pode-se dizer que Deus criou todas as coisas, e que a água estava ali por um ato miraculoso do Criador. Não existe nada de errado nesta retórica, mas Deus, como Criador e Mantenedor, criou as leis naturais e as tem sobre o Seu eterno domínio. Assim, todas as coisas criadas seguem leis estabelecidas pelo Criador, obedecendo à fenomenologia dos acontecimentos naturais do processo da criação em relação ao tempo (Ec 3.11). Então, acreditamos que as coisas criadas obedecem às suas ordens, dentro do claro contexto: Assim diz o Senhor. A Bíblia Sagrada, no livro de Gênesis, não relata como a água chegou até o Planeta Terra, diz apenas que ela já estava lá, bem antes do estabelecimento da semana da criação. Por outro lado, muitos cientistas elaboraram diversas teorias com a finalidade de explicar o surgimento da água em nosso Planeta. Tais como os amigos de Jó, muitos cientistas estão procurando explicação na natureza para explicar a própria natureza, quando, na verdade, a explicação correta dos atos criativos do Deus Todo–Poderoso está claramente revelada na Bíblia Sagrada. Deus separou as águas do planeta Terra em duas partes: as águas debaixo do firmamento e as águas sobre o firmamento (Gn 1.7). A água era tão abundante na Terra, que o processo de evapotranspiração proveniente do solo foi suficiente para mantê-la irrigada sem a necessidade de chuvas (Gn 2.5-6). Durante o dilúvio, as águas de debaixo e de cima do firmamento inundaram a Terra (Gn 7.11-12), deixando-a totalmente submersa (Gn 7.19-20). Com as águas do dilúvio (Gn 7.10), o planeta Terra voltou às mesmas condições de inundação que havia antes da semana da criação. Então, voltamos à pergunta: de onde veio tanta água? Bem antes de Sócrates, Deus usou perguntas retóricas para estimular seus interlocutores a buscarem nas leis da natureza argumentos científicos para a sistematização do conhecimento, que, pelo estudo racional, levaria à fé nas revelações deixadas na natureza pelo próprio Criador, porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis (Rm 1.20).